(Por Clédisson Júnior - diretor de Combate ao Racismo da UNE)
O Racismo no Brasil
Para compreendermos o processo de formação da sociedade brasileira, é fundamental entendermos que o racismo foi ideologia fundamental para a manutenção do Estado que se pretendia formar; isto é, não ocorre processo colonialista sem racismo.
O racismo sempre foi instrumento fundamental para manter a dominação, subjugando a todos que estão sob esse véu. O racismo, como uma forma ideológica, é resultado da epistemologia européia a serviço da dominação sobre os outros povos.
O racismo como vivenciamos no dia a dia é um conjunto de ações e intenções que marcam as relações sociais entre os indivíduos, que tem em sua fundamentação a superioridade de uma raça (branca) em detrimento de outra (negra e/ou indígena, etc.).
É importante destacarmos que o contexto “raça” usado para fundamentar a nossa discussão é apresentada na perspectiva sociológica, ou seja, “raça” existe em nossa contemporaneidade e é fruto de um conjunto complexo de fatores culturais e históricos, e sim, foi baliza e critério para configurar a divisão social do trabalho no período colonial e nas ocupações dos diversos espaços de direção e poder de nossa sociedade.
As desigualdades raciais existentes em nosso país têm em suas bases uma estreita relação com a estruturação em classes de nossa sociedade.
Em uma sociedade regida por uma democracia liberal, amparada em preceitos burgueses, o preconceito racial cumpre novas funções e ganha novas formas de aplicação, ainda mais eficientes no intuito de manter negras e negros fora dos espaços de formação e conhecimento que possam garantir algum tipo de ascensão social.
O negro e a negra na universidade brasileira
Atualmente o acesso à universidade publica se dá por meio de um processo de seleção no qual a maioria esmagadora dos aprovados são estudantes egressos de escolas privadas, ou de estudantes que possuem recursos necessários para o custeio de cursos preparatórios ao exame de admissão. Como sabemos, a população negra é a maioria esmagadora da população pobre e/ou miserável de nosso país, o que cria uma dinâmica de inversão proporcional no processo de inclusão no ensino superior público no Brasil.
Defender a presença cada vez maior e efetiva de negros e negras na universidade pública brasileira para nós é positiva, imprescindível e estratégica para combater o racismo e fortalecer o processo democrático. O sistema educacional, políticas curriculares e bases teóricas que fundamentam a produção científica no Brasil são construídas a partir de bases e referencias eurocêntricos, não respeitando a diversidade étnica que compõe a realidade da população brasileira.
Políticas de cotas de raciais
Nos últimos anos, é intensa a discussão acerca da emergência da aplicação de políticas de ações afirmativas na educação superior brasileira. Tais discussões visam reparar aspectos discriminatórios que impedem o acesso de pessoas às maiores “sortes” de oportunidades.
Para nós do movimento negro, a importância dada às ações afirmativas - em principal às políticas de cotas raciais nas universidades públicas - é instrumento estratégico para alterarmos o estado das coisas na sociedade racista em que vivemos. Pressionar o poder público a fim de aprovarmos esta política como parte integrante do texto constitucional vem sendo tarefa de todos nós, negras e negros conseqüentes.
Não somos alheios de que a igualdade formal, tão cara à concepção de Estado moderno, que visa consagrar a igualdade de todos e todas perante a lei, não é aplicada em sua acepção prática, não correspondendo com o real sentido de sua existência. Apresentar perspectivas que apontem para as políticas de cotas raciais teor de inconstitucionalidade reforça cada vez mais as críticas e questionamentos que nós dirigimos ao conceito de igualdade apresentada e defendida pela democracia liberal.
Quando observamos a constituição federal em seu artigo terceiro, o qual alega os objetivos da república brasileira - tais como a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a garantia do desenvolvimento, a erradicação da pobreza e a promoção do bem para todos e todas sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outra forma de discriminação - podemos ver o quanto as políticas de cotas raciais para ingresso nas universidades públicas possui forte conteúdo democrático e amplo apelo constitucional.
É preciso enegrecer a universidade
É papel da universidade fomentar a importante e indissociável articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão, exigência intrínseca para a constituição de um centro de ensino que de fato exerça a sua função - que é de produzir conhecimento e tecnologia de fato úteis para a sociedade brasileira.
Uma universidade que, aliada à pratica pedagógica e à produção do conhecimento científico, não se ater ao novo momento histórico que vivemos - diferente, desafiador e que cada vez mais reclama para si a busca pelo fortalecimento da democracia - não terá êxito na sua missão de transformação e contribuição para a instauração de uma nova consciência e fortalecimento da cidadania.
Assim como é importante a inclusão dos negros e negras nos bancos escolares do ensino superior, também se faz necessário e imprescindível para a universidade a presença e permanência destes. A efetiva e militante presença dos negros e negras na universidade pública garantirá um redirecionamento no processo de produção científica, na elaboração de matrizes curriculares democráticas e em um processo de extensão cada vez mais comprometido com a promoção da classe trabalhadora.
Uma revolução nada silenciosa
Em um momento futuro, a ocupação quantitativa que queremos promover ao defender a políticas de cotas raciais nas universidades públicas se reverberará em uma maior participação dos negros e negras nos espaços de tomada de decisão, e conseqüentemente na redefinição de rumos verdadeiramente democráticos e republicanos para a sociedade brasileira. al engajamento nos instrumentaliza para a verdadeira disputa que enfrentamos cotidianamente desde o dia em que nascemos, em que o combate sistêmico ao racismo é central na estratégia por uma sociedade solidária, justa e democrática.
A luta dos negros e das negras, ainda que por inúmeras tentativas, não foram suprimidas, o processo de resistência a cada dia se torna mais forte e mobilizado. Defender em alto e bom som a política de cotas raciais nas universidades públicas é trazer à tona para todo o Brasil que somos um país racista. A defesa das cotas é carregada de forte simbolismo, visando quebrar com uma dinâmica de manutenção do poder sustentado pelo mito da democracia racial.
Para que de fato possamos superar as distorções sociais gestadas pelos ideais racistas, é necessário compreendê-lo, para que a sua superação seja definitiva. Este processo de compreensão nos traz à luz do conhecimento a relação dialética entre as lutas raciais e a luta de classes.
Janeiro 21, 2010
Por que defendemos as cotas raciais
Postado por Júlia M. às 16:46 6 comentários
Dezembro 08, 2009
O 14º salário na educação
A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou na tarde desta terça-feira a proposta de criação do décimo quarto salário para professores da educação básica. Pela proposta, terão direito ao benefício os profissionais das escolas públicas dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios.
O projeto, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), prevê que recebam o décimo quarto salário os professores e funcionários de escolas que elevarem o Ideb (Índice de Desenvolvimento de Educação Básica) da instituição de ensino em, pelo menos, 50% durante o ano letivo, segundo informações da Agência Senado.
Professores do ensino fundamental também terão direito ao benefício, caso obtenham Ideb igual ou superior a seis no ano.
Ao defender sua proposta, Cristovam afirmou que o benefício representa um bom primeiro passo para melhorar a qualidade do trabalho desempenhado pelos educadores brasileiros.
De acordo com o projeto de lei 319/08, o pagamento do benefício deverá ser realizado até o final do semestre subsequente ao da publicação do resultado da avaliação do Ideb. A matéria segue para exame e votação na Comissão de Assuntos Sociais, em decisão terminativa.
--- Folha Online, 10/11/09
Sobre o 14º, o mais estranho é que o projeto vem tramitando desde 2008 (alguns sindicatos e bases ignoraram, tão- somente, ou o assunto foi discutido em assembléias?). Talvez os/as professores/as estejam satisfeitos/as com a proposta, ou dela nem saibam em sua totalidade. A meu ver o 14º é "indecente" pelo próprio nome. Fere a todos os trabalhadores. Se a Educação lutou anos a fio para acabar com o 14º dos políticos de plantão, porque haveria de querer o mesmo, tendo em vista que pode colocar professores contra professores, auxiliares contra auxiliares, etc. e tal? Sabe-se lá! O fato é que o 14º para a Educação é prejudicial à luta por reajustes, além de ser coisa passageira. Que eu saiba, três são os estados que já o aplicam. Nestes, inúmeros são os profissionais que não o recebem porque "pecam" por dar aulas em escolas em condições precárias, ou por outras querelas, porém, por enquanto, a percentagem de quem o recebe é maior. É algo enganoso, especialmente no que se refere à Educação. É apenas um complemento ao salário-base, não incinde sobre ele. E tem mais! Será preciso mexer na Constituição. Por enquanto, não é obrigatório. O Sindiupes (ES) é contra a proposta de criação de um 14º salário para professores. Swami Cordeiro Bérgamo (diretor de Comunicação do sindicato) diz que a política de remuneração deve contemplar todos, inclusive professores aposentados. De acordo com ele: “A educação de qualidade depende da valorização do professor. Mas associar desempenho do educador ao resultado de avaliações em alunos é um equívoco. Considero um absurdo. Além disso, é preciso uma política que atenda toda a categoria, inclusive aos aposentados que tanto contribuíram para a sociedade".
--- Modesta Trindade Theodoro, professora aposentada e pedagoga, em seu blog.
Faço minhas as palavras da Modesta.
Depois perguntam por que a educação no Brasil tá do jeito que tá. E vem aquela resposta: os professores não estão preparados. Os professores não estão motivados. Os professores isso, os professores aquilo.
Deve ser porque os professores trabalham loucamente e recebem um salário que não corresponde a seu esforço e sua importância - importância, aliás, que nunca é reconhecida, nem pelas autoridades, nem pelos alunos, nem pelos pais dos alunos, e muitas vezes, nem mesmo pela própria comunidade escolar. As políticas educacionais recentes jogam a responsabilidade pelo sucesso escolar dos alunos cada vez mais sobre professor, eximindo outras instâncias (o governo, a sociedade, a família, a escola) dessa responsabilidade, que é enorme. A qualidade da educação é resumida a uma questão de verba - basta que a escola e o professor recebam mais dinheiro, "benefício" concedido àqueles cujos alunos conseguem boas notas numa avaliação nacional (como o ENEM, que não, senhoras e senhores, não serve pra ajudar vestibulandos a se tornarem universítários; ou não deveria servir). Nem vou esticar minhas críticas a esse esquema de avaliação da Educação Básica, pra esse post não ficar muito chato.
Aí inventam um 14º salário. Nossos problemas acabaram!
Tô até rindo pra não chorar.
Postado por Júlia M. às 18:47 1 comentários
Novembro 25, 2009
Esquerda, volver!
A falta de tempo e o stress característico de todo fim de semestre não me permite ter boas idéias pra postar, então deixo aqui mais uma conversa de MSN sobre um assunto que, apesar de importante, infelizmente interessa a poucos: política.
Dada a natureza do assunto, acho que não preciso avisar que esse post é controverso e pode deixar os mais exaltados meio nervosos...
Luke, mais uma vez, obrigada!
P.S.: a conversa abaixo é baseada nos meus conhecimentos sobre o assunto e em opiniões pessoais, não em fatos. Sempre considero a possibilidade de estar errada.
---
J. M. C.: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2003/06/257386.shtml
Aécio espancador, hein...
http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-11-01_2009-11-07.html#2009_11-01_12_09_41-9991446-0
Luke: Engraçado que isso não cai na imprensa...
J. M. C.: Aqui em Minas, de jeito nenhum.
Te falei do documentário falando da imprensa em Minas?
Muito interessante.
Luke: Mas aqui em Sampa também não, nem no Vermelho
Acho que você comentou algo por cima...
J. M. C.: http://www.youtube.com/watch?v=R4oKrj1R91g
Luke: aaaaaaaaaaaah
você me mostrou sim!
J. M. C.: Acabei de achar um dociumentário em resposta a esse, que vou ver agora...
Luke: Feito por quem?
J. M. C.: Não fala aqui...
Nossa, é ridículo... huahuahuahua
Luke: Imagino que seja rs
J. M. C.: http://www.youtube.com/watch?v=mgbdpM09ysk
Chega a ser idiota.
Cada argumento retardado...
Luke: Geralmente é...
Tenta ler um dia os comentários das notícias do terra na questão de política, é o máximo.
J. M. C.: Eu morro de rir...
É que nem a Veja.
Tipo, a Veja sempre foi uma revista de direita, mas antes até dava pra respeitar... agora já tá ridiculamente tendenciosa.
É tanta obviedade, que chega a ser engraçado... eles nem tentam ser sutis mais.
Luke: Acho que nada deixa tão claro a desarticulação da direita quanto essas pré-eleições... ninguém nem se manifesta
J. M. C.: Eu tô quase desistindo do ativismo político...
De verdade mesmo...
Luke: Por quê?
J. M. C.: Tá muita bandalheira!
Dá um desânimo...
Luke: Em que aspecto?
J. M. C.: Ah... já não existe mais esquerda no Brasil. A única esquerda respeitável se estragou faz tempo.
Aí sobram esses partidos toscos que só queimam mais ainda o filme.
Luke: O que é uma esquerda respeitável?
J. M. C.: Era o PT e o PCdoB, na minha opinião... mas hoje são dos partidos corrompidos, né?
Não gosto da esquerda radical. PSTU, PSOL e afins.
Os partidos menores podem até ser legais, mas não tem expressão nenhuma...
Luke: Eu acho que o pensamento de esquerda tem que se reformular. Deixar de ser o "esquerdismo" revolucionário...
Tentar conciliar os ideais de esquerda com o cenário atual, criar as bases para mudanças mais profundas no futuro.
Ficar gritando "revolução" não vai nos levar a lugar nenhum. Pode ser triste ou estranho, mas temos que ser pragmáticos às vezes.
J. M. C.: Mas tb não pode ser reformista, né?
Luke: O que chamamos de reformismo aqui?
J. M. C.: Em termos práticos, pegar a merda que tá e dar uma melhoradinha.
Tipo passar um perfuminho...
Luke: Ah não, de forma alguma.
Como eu disse, lançar as bases para mudanças mais profundas...
Mas estamos num momento onde não existe pré-disposição para aceitar a ideologia de esquerda, os modos da esquerda... tem que se criar essas bases aos poucos, para que reformas mais contundentes possam ser aplicadas no futuro.
O meio termo entre o reformismo e o revolucionarismo nonsense
J. M. C.: É, a linha do PT e do PCdoB era essa. Pelo menos, o que tá no estatuto dos partidos.
Até o Lula assumir o primeiro mandato, os partidos se mantiveram nessa linha. Mas é diferente trabalhar com o poder na mão, né.
O PCdoB é a maior base do governo hoje.
O lance é que, com esses dois partidos fora da esquerda de verdade, sobram os partidecos com idéias bizarras...
Antes, os maiores partidos de esquerda eram PT e PCdoB. Hoje, são o PSTU, o PSOL e, em menor proporção, PCB e PDT.
E PDT nem é suuuuper esquerda...
Luke: Governo nunca é considerado esquerda, né?
Mas eu acho esses partidos menores e mais malucos importantes pra fazerem a linha de frente de oposição, ficar enchendo o saco do governo pra manter ele na linha mesmo...
E também é fácil falar de fora, mas estar na chefia sempre é duro... muitas concessões pra poder efetivamente fazer alguma coisa.
Mas não tira o mérito de esse ser o melhor governo que tivemos desde 64
J. M. C.: Eu tb acho...
A eleição do Lula foi um puta fato político. A gente elegeu um presidente semi-analfabeto, de origem pobre e de esquerda!
Foi histórico.
Eu reconheço a importância desses partidos menores de esquerda. Mas eles não sabem administrar essa importância, eu acho...
Eles tomam posições que muitas vezes criam uma reação ruim por parte do povo. Queima filme da esquerda, mesmo...
Luke: Ah sim, é o que eu acho também. Principalmente no movimento estudantil.
Tipo, tem gente com uma inclinação de esquerda bacana, boa cabeça, mas sem ligação política, que pode ser absorvida na faculdade... mas aí aparecem uns caras falando que são um movimento revolucionário bolchevique e que a saída é revolução armada e afasta essas pessoas.
E como fato histórico, acho foda também. A aprovação dele também é absurda... só nos estados e capitais das elites brancas e preconceituosas tá esse movimento golpista bizarro. Mas graças a deus são paulo não é Brasil.
Luke: Gata, tenho que sair... besos!
J. M. C.: Beijos!
Postado por Júlia M. às 10:45 2 comentários
Outubro 04, 2009
25 anos e neonazismo
Aparentemente, as duas coisas não têm relação alguma: meu aniversário de 25 anos (que foi ontem) e neonazismo. E eu realmente preferia que não tivessem, mas infelizmente, aconteceu: no bar onde eu comemorava com meus amigos, apareceram uns skinheads e, como era de se esperar, rolou confusão. Triste.
Enfim, isso não estragou minha noite, a festa foi ótima, quase todos os meus amigos estavam lá, me diverti bastante! Mas quero aproveitar o ocorrido pra levantar uma reflexão, porque, afinal de contas, há muito o que se pensar (e fazer) sobre isso.
Segue então uma conversa que tive no MSN com um amigo e uns links pra maiores esclarecimentos, porque é uma questão bem complexa.
E parabéns pra mim!
---
[Fernando]: bem?:3
Jolie.: Bão, e vc?
[Fernando]: normal,normal...
Jolie.: Eu tô mais velha...
[Fernando]: eu sei...
parabéns btw
Jolie.: Thanks!
[Fernando]: teve festa e tudo que vc tinha direito?
Jolie.: Teve.
Até porradaria com skinheads rolou.
[Fernando]: AEAEAE =P
Jolie.: Foi paia!
[Fernando]: tell me more
Jolie.: Tava mó legal lá, aí chegaram uns 4 caras com jaqueta dos Hooligans, cabeça raspada, coturno...
Uniformizados, quase.
Foram lá só pra arrumar treta.
[Fernando]: bem típico da raça
Jolie.: Ficavam cantando todas as mulheres... um deles mexia comigo o tempo todo, só pq viu que eu tava com meu namorado.
Queria que meu namorado fosse tirar satisfação.
Ficava me chamando de "docinho", "boneca"... aff.
Aí um deles resolveu pegar o giz da sinuca e desenhar o símbolo do nazismo na mesa.
Um cara que tava lá, que nem era convidado meu, foi lá e apagou.
Aí os skinheads chamaram pro pau, e o cara foi.
[Fernando]: mas esse bando de nego é muito babaca....
Jolie.: Eles foram brigar na rua, na frente do bar... tipo, 4 contra um.
O cara ficou todo arrebentado. Teve uma hora que ele caiu no chão e os caras desceram o cacete meeesmo, achei que fossem matar o coitado.
Aí chamaram a polícai e eles saíram correndo, típico.
Ficou todo mundo revoltado, virou assunto por uma meia hora.
[Fernando]: que treta....
por isso que eu falo... de vez em quando, matar um ou dois só pra eles aprenderem o lugar, não deveria ser crime
Jolie.: Foi ridículo.
Mas não estragou minha festa!
Tá cheio desses neo-nazi aqui em BH, tá tenso.
Sempre tem alguma notícia de skinheads brigando em bares.
O mais bizarro é que um deles era negro...
Foi tenso.
[Fernando]: pq eles tão nessa pela treta mesmo nem tem ideologia envolvida... certeza
Jolie.: Quando eles chegaram, vieram entrando na rodinha onde eu tava com minhas amigas, perguntaram nosso nome.
Eu disse bem assim: "meu nome é Júlia, isso aqui é meu aniversário e eu não me lembro de ter te convidado"
[Fernando]: e eles?
Jolie.: Ficaram rindo. Disseram alguma coisa, mas não entendi...
Acho que disseram algo como "essa é bravinha"
[Fernando]: bando de pau no cu
Jolie.: Ou, acho que é bem isso quem eles querem
Uma jeba no cu!
[Fernando]: bem capaz
mas cara, ninguém faz NADA???
Jolie.: Nunca conseguem pegar os caras.
Ontem a polícia fez uma busca nos arredores lá do bar com duas viaturas, e nada.
Mas eu tb não gosto da polícia, de qualquer forma.
[Fernando]: até eles pegarem alguém que não devem,ao que parece
quando for filha de PM, aí o negócio muda
Jolie.: Foi o que pensei na hora.
Eu tenho medo dessas coisas.
Vai que um dia esses escrotos cismam comigo na rua.
Ontem fiquei mó receosa deles arrumarem briga lá mesmo, dentro do bar, no meio da minha galera.
[Fernando]: eu tb ficaria...
Jolie.: Mas acho que eles não teriam coragem.
Esse tipo de gente é covarde, cagona mesmo.
Tava cheio lá, se eles arrumassem treta, ia todo mundo entrar.
Chamaram o cara sozinho pra brigar na rua.
[Fernando]: o foda voi ninguém ir com ele na real
Jolie.: Tinha só mais um cara com eles, o resto era mulher.
Acho que o outro foi tentar ajudar, mas não deu pra ver direito.
Foda foi que tava cheio de gente no bar, e ninguém foi ajudar.
[Fernando]: isso que eu acho foda... gente cuzona.
Jolie.: Se eu fosse homem, ia lá fazer alguma coisa.
Mas pra mulher é meio foda.
Não me arrisco...
[Fernando]: eu teria ido sem dó
Jolie.: A polícia foi ridícula.
Tava tendo jogo do Atlético ontem, aí eles perguntaram se tinha alguém com camisa de time na briga.
Como não tinha, eles disseram pra ligar de novo se a briga piorasse.
Olha que escroto! [nota: na verdade, a briga já tinha acabado, e a polícia disse pra ligar de novo se a briga voltasse. O que não deixa de ser escroto]
[Fernando]: é muita falta de noção.
Jolie.: Polícia de cu é rola...
[Fernando]: mas quando é vc que mata um desses filhos da puta na rua, vc é que é o criminoso
Jolie.: Pois é.
[Fernando]: sei lá... se eu tivesse uma arma na mão numa hora dessas,sentava o dedo sem dó
Jolie.: Deu muita vontade.
[Fernando]: é por isso que é proibido
Jolie.: O povo tá falando agora que o dono do bar foi "conivente" com a entrada dos skin lá.
[Fernando]: mas foi mesmo
sabia que ia dar treta
Jolie.: Ou, nem foi.
Ele não podia fazer nada.
[Fernando]: esse povo FEDE a treta
ele pode proibir a entrada de quem ele quiser
Jolie.: Nenhum estabelecimento pode impedir a entrada de ninguém.
É lei.
Tipo, impedir mendigo de entrar numa padaria tb é ilegal, saca.
[Fernando]: sob históricos de inconvenientes ele PODE
Jolie.: Que históricos?
[Fernando]: é direito de preservação de propriedade
Jolie.: Que prova ele tinha contra os caras?
Até que eles fizessem alguma coisa, ele não tinha como impedir.
[Fernando]: oi? conhecimento público?
oi? eles tavam provocando?
oi? eles desenharam uma suástica numa mesa de bilhar?
Jolie.: Ah, mas aí eles já tinham entrado.
[Fernando]: não é como se esse tipo de ato fosse algo incomum desse povo.
Jolie.: Impedi-los de entrar no bar ele não podia.
Quando a treta deu sinais de rolar, eles interviram.
[Fernando]: ele pode muito bem informar a aparência dos caras pra outros estabelecimentos e assim fazer com que outros bares impeçam
Jolie.: Ah, mas ele fez isso, né.
Depois que a treta rolou.
Tava tudo lotado, geral viu.
O foda é que se isso acontece, os skinheads voltam e quebram tudo, saca.
O pessoal dos bares fica no prejuízo.
Uma saia-justa meio tensa de resolver.
Não acho que o dono foi conivente.
[Fernando]: assim...
Jolie.: Quando a coisa começou, ele tomou todas as providências que devia, chamou a polícia, deu depoimento, ajudou o moleque que apanhou...
[Fernando]: não é querer bancar o advogado do diabo mas aqui, dono de bar tem arma debaixo do balcão e paga sergurança
vagabundo faz isso e acaba com uma bala na cabeça
não é "certo" mas com esse tipo de animal vc não discute
Jolie.: Eu acho que ele agiu muito bem.
Nem tinha a obrigação de prestar socorro ao cara que apanhou, pq ele topou a briga.
Mas prestou.
Impedindo os caras de entrar, ele estaria arriscando o estabelecimento dele, saca.
Pq se um babaca desses, filhinho de papai, presta queixa no PROCON, ele perde a licença pra funcionar.
[Fernando]: por isso a bala na cabeça
pq na hora de lesar o estabalecimento E a clientela, ninguém pena
pensa
Jolie.: Mesmo pq, se tentassem impedir, ia rolar treta do mesmo jeito...
[Fernando]: sei lá, pagar um segurança pra não ter essa dor de cabeça compensa mais do que arcar com perder o movimento da casa
Jolie.: Ah, mas nem todo bar tem condições pra isso, né...
Até pq o bar é novo... sei lá.
Eu conheço o dono, ele é super de boa.
Teve uma postura muito coerente, eu acho.
[Fernando]: sei lá, se fosse eu, teria pelo menos um segurança à paisana, mas eu trampo na area tb, conheço gente que faz isso...
Jolie.: O que um segurança poderia fazer?
Não pode impedir que eles entrem.
No máximo pode expulsar depois que a treta começa.
Na rua não poderiam fazer nada, é coisa pra polícia.
[Fernando]: seguranças geralmente são da policia,fazendo extra...
pra chamar um camburão e zerar um bando desses num beco ,não custa nada
Jolie.: Bom, isso é errado tb, né.
A polícia não pode fazer isso...
[Fernando]: não deveria.
mas não tem muita conversa
Jolie.: Tem que prender.
[Fernando]: prender e gastar dinheiro público sustentando vagabundo? perda de tempo
Jolie.: O problema é que nada adiantaria muito, né?
Matar não rola. As consequências são muitas, e muito pesadas.
Prender não resolve, pq depois o papai ia lá e liberava o filhinho.
[Fernando]: c acha que quando o camburão leva e zera um nego desses, alguém fica sabendo?
Jolie.: Aí já entra numa discussão mais ampla...
Claro que fica. Ainda mais se tem grana.
[Fernando]: é reação a prisão,auto defesa, reação a assalto a mão armada,briga de gangue...
Jolie.: Os caras eram malotados...
É foda isso.
[Fernando]: sei lá, varia muito de com quem eles mexem
se vc bate em filho de PM, pode chorar o quanto quiser que vai acabar morto
Jolie.: Ou, eu faço os mais sinceros votos de que o cara que apanhou seja parente de alguém relevante.
Por mais que seja escroto esse lance de justiça só pra quem pode.
[Fernando]: é escroto mas é funcional
Jolie.: Mas continua sendo escroto!
Enfim, vou nessa.
Já esquentei tanto com esse assunto...
[Fernando]: escroto é deixar esse povo na rua
vai lá... desculpa continuar com isso :x
Jolie.: Nem, eu gosto! Haha
Isso tem que ser conversado mesmo, né.
Neonazismo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Neo-nazismo
Skinheads: http://pt.wikipedia.org/wiki/Skinhead
Postado por Júlia M. às 23:18 3 comentários
Setembro 15, 2009
Uma escala em Amsterdã
E cá estou, fumando um cigarro amassado numa rua escura de Paris. O que estou fazendo em Paris, é o que o leitor se pergunta; um homem de meia-idade sozinho num banco molhado numa noite fria em Paris. Pois lhe digo: não sei. Estava eu em minha casa, zapeando a tevê entre ofertas de soutiens invisíveis e filmes antigos de faroeste, e tomei a decisão de súbito, dessas que não se sabe de onde nem por que, disse a mim mesmo: vou por aí e não sei quando volto. Liguei pra companhia aérea e pedi, me reserve aí uma passagem, pra onde?, perguntou a mulher do outro lado da linha, e eu respondi: pra qualquer lugar. Mas como?, ela perguntou de novo, e eu disse sei lá, escolhe aí um lugar pra mim. A mulher, meio perplexa, me escolheu Amsterdã, devia ser o único avião com vaga àquela altura, e eu achei bom ir parar em Amsterdã. Coloquei uma dúzia de roupas na mala, meia dúzia de calças e meia dúzia de camisas, arrumei as coisas que se precisa numa viagem e fui. Esperei uma hora no aeroporto até meu embarque ser anunciado, era um lugar na segunda classe ao lado de uma senhora muito velha que roncava. Não dormi, embalado pelo ronco da senhora, e pela voz gentil da aeromoça que vinha de quinze em quinze minutos, água? Café? Outra bebida qualquer? Acabei saindo do avião meio bêbado e apertado. Bonito o aeroporto de Amsterdã, funcional, imagino então como será a cidade, pois o aeroporto foi tudo o que conheci de lá. Saí para a rua e fui pegar um táxi, estavam todos lotados, veio chegando um, estacionou logo diante de mim e eu já achei que ia sair pra um hotel, quando do táxi saiu uma francesa. Digo que era francesa pois falava francês, mais especificamente praguejava, sempre fui bom de francês mas nunca tinha ouvido uma pronúncia daquela. O taxista saiu pra deixar as malas e não entendia nada que a francesa falava, eu lhe disse que deixasse as malas ali mesmo que eu as levaria, ele entendia o inglês. Paguei a corrida, ele agradeceu entendendo ainda menos, e ela parada na calçada com os braços cruzados e as malas nos pés, me olhava com impaciência. Merci, soltou, já se abaixando pra pegar as malas; mon plaisir, eu disse, impedindo-a. Ela me olhava mais impaciente a cada segundo, me julgava por um galanteador qualquer, sabia que era bonita e que estava coberta de razão. Não sei que ímpeto me levou a acompanhá-la aeroporto adentro quando eu acabava de sair, mas o francês tão bem falado por uma voz tão suave vindo de uma boca tão vermelha me relegavam à condição de simples servo. Ela deixou, sacudindo os ombros, ainda a vejo fazer isso em meus sonhos, e passava por entre as fileiras de pessoas como se não tivesse mais ninguém. Pra mim ela era o centro das atenções, e o leitor pode compreender aí o motivo da minha breve passagem por Amsterdã. Como era de se esperar, ela ia pra França, voltava de uma visita a uma tia, e eu só pensava o que faria em Amsterdã sem ela, nada me parecia mais enfadonho, por isso inventei que também ia a Paris. Paris? O que faria em Paris? É claro que pensava em passar lá com ela o resto dos meus dias, mas não soube responder quando ela me perguntou naquele francês indecoroso. Tossi, disfarcei e disse que tinha lá uma tia, resposta nada original, as circunstâncias me pressionavam. Mas ela se admirou, abriu um sorriso nos lábios vermelhos, quelle coïncidence!, e nesse momento eu soube que estava perdido.
Postado por Júlia M. às 09:20 5 comentários
Agosto 23, 2009
Bem feito!
Todo mundo que teve infância com certeza viveu essa situação. Você, criança feliz, tinha lá um amigo/vizinho/irmão/primo (ou qualquer coisa que o valha) com quem disputava tudo. Disputava atenção, brinquedos, força, esperteza; enfim, tudo o que uma criança pode disputar. Aí, quando seu pequeno oponente se dava mal em alguma coisa, qualquer coisa, você estava lá, de prontidão, observando de longe, só pra poder dizer: BEM FEITO! Ha ha ha!
Hoje, mais precisamente há uns 10 minutos, tava conversando sobre isso com meu namorado. Não sobre a infância, mas sobre a disputa - sobre como é comum (e ridículo, na minha opinião, mas não na dele) comemorar a derrota de um rival.
O assunto surgiu quando, ouvindo fogos, ele foi correndo pra ver na internet se o Atlético Mineiro, time rival do seu querido Cruzeiro, estava perdendo o jogo contra o Grêmio. E estava. Coisa que ele comemorou entusiasticamente, e é claro que eu não assistiria a isso calada! 1) Porque é futebol, e implicar com futebol é meu passatempo favorito; 2) porque me ocorreu que eu realmente acho ridículo "gozar com o pinto dos outros" - expressão usada pelo meu namorado para se referir aos atleticanos que comemoram as derrotas do Cruzeiro, sendo que ele tava fazendo exatamente a mesma coisa.
Aí ele tenta justificar: "ah, amor, é futebol". Como se isso justificasse alguma coisa. Só porque é futebol, não deixa de ser ridículo - talvez seja até mais ridículo! [/implicância]
"Ah, amor, futebol é assim mesmo, movido por disputa". Sim, como tudo mais na vida. Vários espermatozóides disputam pra que a gente possa nascer, aí a gente nasce e disputa a atenção da mãe com o pai e irmãos, aí a gente cresce e disputa com os coleguinhas da escola pra ver quem é melhor, aí a gente cresce mais e disputa uma namorada e uma vaga na universidade, aí a gente se forma e disputa uma vaga no mercado de trabalho, aí a gente consegue um trabalho e disputa lá dentro pra ser o funcionário do mês; e a disputa segue até a morte. Assim é a vida num sistema meritocrático. Mesmo assim, nada disso significa que comemorar a derrota alheia é normal. É comum, mas ainda assim, ridículo (como a maioria das coisas que são comuns hoje em dia).
"Ah, amor, mas eles soltam fogos, eu nunca vou fazer isso". Que bom, soltar fogos é meio perigoso. Mas não, não é menos ridículo. Ainda que a derrota seja comemorada em silêncio, é tão condenável quanto uma comemoração feita aos berros, com fogos coloridos, procissão, festa e data marcada no calendário. No fim, dá tudo na mesma: comemora-se o fracasso de um rival, quando se deveria comemorar o próprio sucesso.
Pra mim, isso é coisa de perdedor. De gente que não tem o que comemorar, então se contenta com o fracasso dos outros. Daquele jeito: se eu não posso, então fulano também não pode. Pra quê procurar minha felicidade, se a tristeza alheia tá aí pra ser louvada?
P.S.: De fato, os cruzeirenses não têm muito do que se gabar. Depois de perder a Libertadores - o que me rendeu uma noite em claro - ficam chorando pra conseguir uma colocação decente no Brasileiro. Mas o Atlético tá entre os 5 primeiros. Que coisa, não?
(É, eu não podia mesmo assistir a isso calada!)
Postado por Júlia M. às 18:13 11 comentários
Agosto 18, 2009
Eu nunca tinha visto
Kriska se despiu inesperadamente, e eu nunca tinha visto corpo tão branco em minha vida. Era tão branca toda a sua pele que eu não saberia como pegá-la, onde instalar as minhas mãos. Branca, branca, branca, eu dizia, bela, bela, bela, era pobre o meu vocabulário. Depois de contemplá-la um tanto, desejei apenas roçar seus seios, seus pequenos mamilos rosados, mas eu ainda não tinha aprendido a pedir as coisas.
Trecho de Budapeste, romance de Chico Buarque, que inicia o capítulo entitulado "Eu nunca tinha visto".
A ilustração é minha, fiz pra um trabalho da faculdade, alguns períodos atrás... ao fundo, duas palavras escritas repetidamente: "bela" e "branca", em português; "fehér" e "gyönyöru", em húngaro. Feito com aquarela sobre papel Fabriano (a digitalização acaba com a textura...).
Por que húngaro? Leiam o livro pra descobrir. Garanto que não vão se arrepender.
Postado por Júlia M. às 16:29 3 comentários
Julho 24, 2009
Mulher, esse bicho
Tá legal, admitamos: somos tinhosas. Mulher é coisa do cão. A sorte (ou azar) desses caras é que a gente ainda não tem total consciência do nosso poder... ou não.
Mas sem cair em generalizações, porque creio que toda generalização é um erro... esse é meu ponto aqui: a guerra de sexos. A velha batalha homens versus mulheres (não, não é guerra de sexo, seu danadinho). Décadas e décadas depois do reconhecimento dos direitos femininos, e ainda estamos na mesma.
É, na mesma. Não adianta dizer que a coisa melhorou, que hoje as mulheres têm mais poder, porque continuamos sendo discriminadas. Continuamos sendo alvo de preconceito, continuamos sendo feitas (e nos fazendo) de objeto sexual, continuamos ganhando menos que os homens que ocupam a mesma função que nós. E não me venham com aquela política do pelo menos: "ah, pelo menos conquistamos alguma coisa." Pelo menos é o caramba! Eu quero muito mais! Nada aquém do que me é de direito, justamente aquilo que os homens (não o sexo masculino, mas o ser humano) merecem.
Começando por aquela coisa de "homem é assim, mulher é assado"; "homem faz isso, mulher faz aquilo"; "homens são de um planeta, mulheres são de outro". Como se existisse um livro de instruções. Tudo bem, algumas coisas podem ser generalizadas; mesmo porque, para fins científicos, seria impossível considerar particularidades. Mas falando de comportamento, prefiro considerar que as pessoas são diferentes, e não que os sexos são diferentes. É todo mundo do mesmo planeta, passíveis dos mesmos males e benefícios, vivendo sob as mesmas regras. Homens e mulheres.
Aí vem um zé ruela (perdoem a expressão malcriada) e pergunta: "então porque essas feministas ficam queimando sutiã e brigando por seus direitos?". Impulsivamente, eu responderia: é por causa de idiotas como você, bundão. Mas isso é um blog, tenho tempo pra pensar e responder calmamente. Então, lá vai:
Homens e mulheres são diferentes. Isso é inegável. Vivemos sob as mesmas regras, que devem ser equivalentes (vejam bem: eu disse equivalentes) pra todo mundo, respeitando as diferenças (pois bem, é o que difere igualdade de equivalência). Por exemplo, as especificidades femininas nas leis trabalhistas, a existência de uma delegacia especializada em crimes contra a mulher, etc. Por que essas especificades precisam existir? Por quê, por quê?
Porque sempre vivemos e continuamos vivendo numa sociedade machista. É, parece discurso repetido, disco arranhado, mas é a mais verdadeira verdade. E enquanto for desse jeito, as mulheres devem, sim senhor, lutar pelo reconhecimento do seu espaço. Lutar pela equivalência de direitos. Assim como os negros que são massacrados pelo racismo; como as minorias religiosas que são massacradas pela intolerância; como os pobres que são massacrados pelo capitalismo; e por aí vai.
Não, os homens não devem ter um dia internacional pra eles. Não, eles não devem se organizar e queimar cuecas. Não devem exigir tratamento diferente, porque não precisam. A vantagem já é deles. Eles não precisam de representação, uma vez que não sofrem discriminação. Simples assim.
Aí vem outro zé ruela: "ah, quer dizer que as mulheres podem nos avacalhar, e nós não?". Eu respiro bem fundo, seguro o que resta da minha paciência e respondo: não. Não podem. E as mulheres também não. Porque: 1) um erro não justifica o outro; 2) femismo é um absurdo tão grande quanto o machismo. É, femismo, assim mesmo. Eu não errei na hora de escrever feminismo, porque são duas coisas bem diferentes - que eu não vou me dar ao trabalho de explicar, porque é óbvio. Pra quem não entendeu ainda, acesse o pai dos burros: www.google.com.
Claro que não tô menosprezando o sexo masculino. Longe de mim! Homem é lindo e eu gosto muito. Não sei o que faria sem eles. Assim como eles não saberiam o que fazer sem nós, mulheres. Precisamos uns dos outros, afinal. Somos diferentes, mas equivalemos.
Postado por Júlia M. às 11:59 6 comentários
Julho 14, 2009
Em tempos de crise (nervosa)...
Tá certo que nenhum dos meus amigos e seguidores vai chorar litros e morrer de desgosto porque não tenho comentado em seus blogs e nem postado no meu. Mas, sendo uma garota legal, explicarei brevemente o meu sumiço repentino; já que, nesse fim-de-semana, recebi ligações (que não atendi porque nem ouvi) e mensagens perguntando o que havia acontecido.
É fato que tenho passado menos tempo na internet do que costumava, nos últimos 2 meses. Mas isso tem uma justificativa simples: estou namorando há 2 meses. Tenho coisa melhor pra fazer, né?
Mas, nos últimos dias, aconteceu o seguinte: fiz uma pequena viagem repentina na sexta (100km até Conselheiro Lafaiete), me refugiei na casa dos meus sogros e por lá fiquei até ontem à tarde, quando retornei a Belo Horizonte por motivos de força maior. E não avisei nem a minha mãe, que foi uma das que me enviou mensagens preocupadas. Tudo isso porque, na quinta, tive uma crise nervosa e entrei em pânico. Sabem como é, tempos de crise. Ainda.
No entanto, tudo vai muito bem agora. Sem sequelas. Voltarei a procurar apartamento hoje mesmo, depois de uma boa faxina nesse aqui; e caso meus nervos resolvam me trair novamente, meu intrépido namorado, que veio passar uns dias comigo, me socorrerá.
Na verdade, esse meu surto de pânico me fez pensar em outra coisa, que é sobre o que quero falar aqui: porque a gente tem tanto medo da solidão?
(Explico os antecedentes desse pensamento: minha crise se deu porque, além do acúmulo de motivos que me deixaram nervosa a semana toda, meu namorado e minha parceira de república viajaram e fiquei completamente sozinha em casa. Daí me deu um medo maluco de passar mal, ter um treco e morrer por falta de ajuda. Vai entender, né?)
Sempre tive medo de ficar sozinha, num sentido mais filosófico. Medo de ser sozinha, solitária, sem ninguém. Sem amigos, sem amor, sem família. Medo de ficar sozinha no quarto com a luz apagada, nunca tive; mas se, de repente, me deu um ataque desses quando fiquei sozinha em casa, o que não deve acontecer com quem é sozinho na vida?
Claro que ninguém é completamente sozinho. Todo mundo tem um vizinho, um colega de escola ou de trabalho, tem o Manoel da padaria, o seu Zé da banca de revista, enfim, o que mais tem no mundo é gente. Mas quem não sabe o que é se sentir sozinho no meio de uma multidão?
E se essa pessoa solitária tiver um treco e precisar de ajuda? E se ela perder o emprego e precisar de dinheiro? E se ela perder um amor e precisar de colo? E se ela precisar de alguém pra conversar numa tarde chata de domingo, e não ver nenhum rosto além dos retratos na parede? E se ela não tiver nem retratos na parede?
Alguns são sozinhos por opção. Outros são sozinhos por falta de opção. Muitos são sozinhos e nem sabem o porquê. Mas não importa o motivo, não consigo entender por que alguém queira continuar sozinho, por que continuar na inércia quando a solução pra solidão é tão simples. Beeem simples: inclua as pessoas na sua vida. É, só isso. Não tem segredo, nem fórmula. É o tal do querer com Q maiúsculo: quando você Quer mesmo, o mundo conspira a seu favor.
Felizmente, nunca fui sozinha. A crise que tive foi só uma maluquice sem fundamento, mesmo. O ser humano é um bicho meio doido, tem coisas inexplicáveis. Alguns espécimes até se auto-exilam, vejam só!
Postado por Júlia M. às 09:39 3 comentários
Junho 30, 2009
Honrarias
Meu post sobre maconha foi citado, honradamente, num blog ótimo que eu não conhecia, até o blogueiro me deixar um comentário. Acontece que li, fiquei lisonjeada e, não apenas por isso, fiquei fã do sujeito!
Cinema & Outras Artes, de Maurício Caleiro. Passem lá porque é bem bacana!
(Consegui, numa única e breve postagem, marketear o meu blog e mais outro. Rá!)
Postado por Júlia M. às 02:32 3 comentários
